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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Sobre a meia idade

A meia idade já passou para mim.
Fazer cinquenta é ter a convicção de que tenho menos tempo de vida.
Minha garantia está chegando ao fim.

Afirmo isso sem melanconia, ou depressão.
Afirmo com alegria e felicidade de quem é grato com o que tem de mais importante: pais ainda vivos e saudáveis, uma família e amigos.

Ainda não me tornei quem eu gostaria de ser, não importa.
Persisto no esforço para ser melhor a cada dia.
Na maioria das vezes, perco. Mas são as pequenas vitórias que contam.

Meu copo estaria meio vazio, ou meio cheio? Não sei.
Seguirei fazendo o que entendo como certo, sem teimosia.
Posso mudar de opinião ou rumo, a qualquer instante.

Só não deixarei aqueles que estão ao meu lado.
Que me suportam, que me amam.
Meus pais, minha família e meus amigos.







quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Não existe fuga

Não teremos um fundo, quando chegarmos nele, dobraremos a distância e continuaremos rumo ao fim.

Isso, nossa sociedade é fraca, medíocre até.

Valores morais e éticos sólidos foram sendo deteriorados ao longo da nossa existência, estamos no apocalipse.

Agora é aguardar os quatro cavaleiros liberarem todas as desgraças e entregarmos nossas almas.

Mas não seremos salvos, iremos arder até virarmos pó por conta da nossa culpa decorrente das más escolhas nas urnas e do fato de não nos preocuparmos mais em educar nossos filhos.

Os homens de bem fracassaram e o mal prevalecerá até que tudo se esgote.

Não existe fuga.


terça-feira, 15 de outubro de 2013

No início

No início,
de todos,
está o mestre.

Paciente,
com o aluno,
orienta.

Refazendo,
seu conhecimento,
enquanto ensina.

Forma,
novos seres,
enfim.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Certo dia...

O mercado era equilibrado e altamente competitivo.

Concorrentes disputavam cada milímetro, cada centavo...

Era extremamente difícil e árduo aumentar sua a participação nele, até que em um dia qualquer, um sujeito que administrava uma organização 'A' teve a brilhante ideia que promoveria uma mudança radical no mercado e a levou ao conselho diretor:

- Vamos contratar os melhores e mais talentosos colaboradores de nossos adversários, oferecendo uma melhor condição de contrato de trabalho. Deste modo tornaremos nossa organização mais competitiva e enfraqueceremos a concorrência, disse.

Tal ideia foi recebida calorosamente pelos membros do conselho e o plano foi posto em prática.

Logo, verificava-se um fluxo de talentosos e brilhantes indivíduos migravam para a organização deixando a concorrência enfraquecida.

A chegada fez com que sua organização saltasse a frente das demais, ganhando uma fatia mais recheada do bolo mercadológico, mas trouxe alguns problemas:

Primeiro - seu grupo de colaboradores se sentia desprestigiado e pouco valorizado frente aqueles que ali se apresentavam e,

Segundo - a folha salarial fora inflada e o resultado líquido obtido pela ideia milaborante não fora tão alto como esperado.

Mas a concorrência não ficaria parada, percebendo o desequilíbrio do mercado tendendo para a organização 'A', trataram de movimentar-se oferecendo condições ainda mais atraentes, tanto a seus antigos colaboradores, quanto aos das demais organizações atuantes.

Uma distorção acabaria por surgir. O foco estava agora não nos bens de consumo ou serviços desenvolvidos e comercializados pelas organizações, mas sim na contratação de talentosos colaboradores, o que elevou o teto salarial destes indivíduos.

Devido a tal circunstância, as organizações passaram a firmar contratos com seus mais talentosos colaboradores estabelecendo cláusulas compensatórias de modo a cobrir não só os gastos com estes, mas estabelecer lucro.

Surgiram atravessadores, que intermediavam as negociações e faturavam com isso. Outros, aproveitavam-se da brecha estabelecida e se apoderavam das marcas e produtos das organizações, controlando-os.

No meio desta nova realidade, um outro sujeito, que administrava a organização 'B' teve uma outra ideia e a levou ao seu conselho de acionistas:

- Ao invés de gastarmos recursos para contratar talentos já existentes, vamos investir na formação de nosso próprio quadro de talentosos colaboradores... Economizaremos com custos de contratação e, nossos colaboradores se sentirão mais valorizados e prestigiados evitando o êxodo! Exclamou frente ao conselho.

Em resposta, recebeu a aprovação para tocar o projeto e estabelecer um novo paradigma mercadológico.

Seus colaboradores sentiram-se motivados a engajar na nova proposta de valorização de pessoal, produzindo mais e melhor.

Tal movimento fez com que a organização 'B' ultrapassasse a organização 'A' e se tornasse a nova líder do mercado, ganhando prêmios e valorizando a sua marca.

A concorrência, mais uma vez, não ficou parada.

Frente ao novo paradigma, tratou de utilizar práticas semelhantes, o que acabaria por produzir uma nova geração de ainda mais talentosos indivíduos e o risco de perdê-los fez com que as organizações acrescentassem mais algumas cláusulas compensatórias sobre investimento feito na formação no contrato firmado com seus colaboradores.

Mesmo assim, concorrentes ofertavam propostas substanciosas, inflacionando os custos com pessoal. Aquelas organizações que haviam investido na formação de seus colaboradores tinham duas opções: ou  cobriam as ofertas, mantendo-os em seus quadros ou negociavam com a concorrência.

Observadores eram contratados e enviados para pesquisar e recrutar novos talentos em organizações menores ou em cidades mais afastadas. Outros, autônomos, faziam o inverso, saíam a caça destes e ofereciam as grandes organizações mediante pagamento.

Tamanho caos, desvirtuou de vez o mercado, não havia mais o foco no produto, no fim. O objetivo passara a ser a obtenção de receitas através da negociação dos direitos oriundos dos contratos celebrados com seus colaboradores, o que acabaria por levar a um desequilíbrio financeiro na maioria das organizações.

Embora participando do caótico mercado, a organização 'C' tinha na sua gestão, sujeitos que gostavam e procuravam pensar de um modo mais heterodoxo, fora do padrão e com uma visão mais distanciada e ampla sobre o todo.

Certo dia, este grupo de gestores propôs algo que iria de encontro a tudo que estava sendo praticado até então.

- Retornaremos ao nosso objetivo inicial. Disse um deles.

- Investiremos na nossa produção, sem deixar de manter um programa de formação e atualização continuada de nossos colaboradores, além de criarmos um plano de cargos, salários e bonificações que valorizem o talento produtivo. Falou um outro.

- E não vamos parar por aí... Iremos procurar diversificar nossas fontes de receitas, sendo significativamente agressivos comercialmente, controlando os processos, inovando e atuando de modo transparente, dentro de fortes valores éticos e morais. Completou um terceiro, enquanto discutiam o tema no conselho diretor.

- Tem mais... Vamos abrir mão dos lucros obtidos com a negociação dos direito oriundos dos contratos firmados com nossos colaboradores, caso algum de nossos colaboradores deseje ir para a concorrência. Finalizou o primeiro.

Estupefatos, os conselheiros demoraram a compreender.

- Como assim? Não vamos mais ganhar este dinheiro?

- Não, só iremos aceitar uma indenização pelo investimento feito na formação deste colaborador descontando o tempo de serviço prestado.

- Por outro lado, vamos assumir o nosso negócio e passaremos a explorar nossa marca de modo pragmático e contínuo, agregando um maior valor a nossos produtos e serviços, e controlando todo o processo: da pré-produção ao pós-venda...

- Poderemos, num primeiro momento, sofrer algum revés, mas temos a certeza, segundo algumas pesquisas realizadas, de que sairemos na frente e nos manteremos por algum tempo assim até que haja uma reação da concorrência.

Finalizada a explanação, houve a aprovação da proposta e deliberação para que fosse colocada em prática.

Então um novo paradigma se estabeleceu, onde o sentido original havia sido retomado só que recheado de uma robustez estratégica focada na diversificação de receitas através de um incentivo sistemático de práticas inovadoras.

...

Não devemos deixar de dar a devida atenção a uma ideia ou conceito só porque foge do convencional. Do mesmo modo, não devemos continuar fazendo as mesmas coisas sem saber sua razão só porque todos as fazem.

O melhor dos mundos é estar focado em seus objetivos sem se descuidar da visão de longo prazo, saindo da caixa, vez ou outra, para buscar um novo ângulo, uma nova perspectiva.

Sou radicalmente a favor de deixar de lado o lucro advindo das receitas provenientes de cláusulas compensatórias presentes em contratos especiais de trabalho esportivo pactuado entre entidades de prática esportiva e atletas profissionais.

Somente assim, entidades de prática esportiva passariam a valorizar uma carteira formada por várias fontes de receita, buscando explorá-las de modo contundente e saindo da fatídica roda do endividamento eterno.

Difícil crer, de acreditar que isto seja possível, mas é. Sei que é... E começo a ter uma ideia de como fazê-lo.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Educar, lecionar, relacionar-se



"Os professores não ganham um monte de dinheiro. Eles geralmente não são considerados dignos de cobertura dos noticiários a menos que haja um escândalo ou uma greve. Na maioria das vezes, as suas principais realizações são compartilhadas apenas com colegas e familiares e não nos meios de comunicação. Tal celebração é frequentemente interrompida por alguma catástrofe no dia seguinte. No entanto, apesar dos altos e baixos, eu não posso pensar em outra profissão que me traga mais alegria e desafio em uma base diária." Rita F. Pierson.

Filha e neta de educadores, esta jovem professora nos ensina que é preciso estabelecer um relacionamento para poder educar. Sem isto, não existe nenhuma conexão e o conteúdo será em vão.

Não importa se você gosta ou não gosta de alguns de seus aluno - geralmente aqueles pelos quais voce sente menos afinidade nunca faltam - , você nunca deve transparecer isto.

Um educador, deve ser um ator e, atuando, deve construir um sólido relacionamento com seus alunos, incentivando-os e levando-os além dos seus falsos limites.

Assuma seus erros, peça desculpa, não existe problema nisto, e nem em dar uma nota baixa... O relevante é a perspectiva.

Olhar o lado bom e incentivá-los. Construir uma mudança, agregando positivismo.

Educar por profissão é fazer a diferença na vida de cada um.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Competências PSE



A devida qualificação e especialização profissional para desenvolver uma determinanda função eleva as chances de empregabilidade de qualquer um dentro de um mercado.

Quando associada a um conhecimento em áreas afins e com o aprendizado de idiomas estrangeiros, ampliam ainda mais suas possibilidades, aumentando o campo do especialista e lhe concedendo uma visão mais ampla e abrangente.

Sua experiência profissional adquirida ao longo de vida, sempre servirá como facilitador para aquele que postula uma entrada em um mercado que já lhe é familiar.

A história escrita ao longo de sua trajetória de vida e da sua família com heranças, bens emocionais e vivências dão a cada um as características que irão diferenciá-lo no mercado e permitirão um olhar mais peculiar sobre o cargos e suas atividades.

Mas estar qualificado profissionalmente não será o suficiente para garantir a entrada no mercado desejado.

Para otimizar suas chances, deve-se adquirir mais conhecimento sobre o setor almejado, identificando seus principais atores, como se relacionam e interagem entre si.

Deve-se descobrir por onde circulam, como frequentar os mesmos ambientes e de que modo apresentar-se. Feito isto, definir quais ações e os recursos serão necessários para que ocorra uma aproximação com o fim de propiciar um contato direto.


Uma vez estabelecida entrada com as relações formadas, o reconhecimento positivo do mercado sobre você propiciará sua valorização, gerando maiores e melhores benefícios.

Embora qualificado e com as conexões certas, ao surgir uma oportunidade, deve-se ter a preocupação sobre sua condição emocional para o enfrentamento de diversos fatores estressantes relativos a função oferecida.

O primeiro deles refere-se ao cargo e a função em si, seu nível hierárquico e grau de responsabilidade dentro de uma organização.

O segundo refere-se ao local, seja a região geográfica, seja a instituição na qual será realizado trabalho.

O terceiro estaria relacionado as pessoas, com quem será realizado o trabalho, tanto internamente, quanto externamente, direta ou indiretamente.

Por último e não menos importante está o momento.

Sua decisão deve ser precedida do estudo destes fatores comparando-os aos benefícios a serem somados na sua carreira profissional, ao retorno financeiro propiciado e a qualidade de vida.

De nada adianta estar profissionalmente capacitado se, emocionalmente não existam condições favoráveis ao suporte do estresse, seja negativo ou positivo, oriundo, principalmente, das relações sociais referentes a função.

Cuide para que desenvolva rapidamente sua capacidade emocional de lidar com o estresse em seus diversos níveis e esteja pronto para oportunidade.

Respeito


quinta-feira, 18 de abril de 2013

A mais desprezível da profissões [revisado]


Dizem que ser professor é vocação, eu digo que é maldição, pelo menos por aqui.

Desprezível é a profissão que ensina, ou ao menos tenta ensinar a pensar, a refletir e a agir. 

Isso traz problemas, e muitos. Povo pensante, reflete frente à oferta e a sua realidade. 

Pior, começa a tomar suas próprias decisões e a agir por conta própria. 

Populistas, sejam políticos, sejam de entidades de classe ou de movimentos sociais, tremem diante tal possibilidade.

Por isso nos sobra, é eu também sou professor, o resto do resto do resto do resto. 

Pesquisa da Unesco revela que os professores no Brasil recebem o terceiro pior salário no mundo, sendo que por aqui, é o pior salário entre profissionais de nível superior.

Isso quer dizer que, segundo a pesquisa, 60% dos professores na região nordeste recebem cerca de R$530,00. A média nacional dos docentes da educação básica é de R$927,00 mas a mediana é de R$720,00.

No Japão, professores formam um grupo social o qual até o seu imperador o reverencia. 

Na Coréia do Sul, seu salário se aproxima ao dos ministros de estado. 

Tigres e dragões asiáticos investiram em políticas educacionais onde a figura central e mais valorizada é a do professor.

Em cada país citado, existem professores orgulhosos por sua vocação. 

Por lá, sê-lo não é maldição.

Já aqui, em nossas terras tupiniquins, ser professor não é valorizado. 

São caçados e estão em extinção. Vê-los ou tê-los por perto é algo cada vez mais raro.

Esgotados por suas rotinas diárias entre dois, três, quatro empregos, por vezes, em três turnos, indo além das 44 horas/trabalho semanal.

Responsável por ensinar o conteúdo programático, avaliar, corrigir e educar uma maioria de alunos deseducados, sem nenhum valor moral ou ético, sem compromisso com a sua formação e sem a preocupação de seus familiares.

Haverá um dia que um professor receberá um dos salários mais altos do país.

Quando isto acontecer, serão alguns poucos sobreviventes por aí, na selva do sistema educacional.

E de tão raros, finalmente terão por suas cabeças, um alto prêmio.