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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

É culpa da natureza




Ok, você poderá me dizer que a quantidade de chuva que cai na cidade do Rio de Janeiro é acima do esperado para o mês de dezembro, quiçá para todo o Verão...


Você poderá me dizer que quando as obras forem finalizadas, tudo estará resolvido.

Você poderá me dizer que na final da Copa do Mundo FIFA 2014, se cair a chuva que cai hoje, não terá nenhuma cena como a da foto.

Eu posso até errar e ficarei feliz por isso, mas digo que, apesar de ser um profissional do mercado do esporte, não acredito em mais nada.

Sou como Tomé, aquele que precisou tocar nas chagas para comprovar sua veracidade.

Teremos problemas dos mais variados, mascarados e maquiados por tapumes, pinturas e planos de câmeras.

VVIPs e VIPs não passarão nem perto deles, muitos menos turistas estrangeiros.

Torço para que jornalistas e correspondentes do além mar tenham a audácia de buscar histórias fora das linhas limítrofes do campo de jogo e das redomas invisíveis dos organizadores.

No final, independente do custo, das mazelas e das falsas promessas políticas, essa Copa do Mundo será a melhor copa de todos os tempos como de praxe.

Pelos menos até a próxima ser realizada.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Certo dia...

O mercado era equilibrado e altamente competitivo.

Concorrentes disputavam cada milímetro, cada centavo...

Era extremamente difícil e árduo aumentar sua a participação nele, até que em um dia qualquer, um sujeito que administrava uma organização 'A' teve a brilhante ideia que promoveria uma mudança radical no mercado e a levou ao conselho diretor:

- Vamos contratar os melhores e mais talentosos colaboradores de nossos adversários, oferecendo uma melhor condição de contrato de trabalho. Deste modo tornaremos nossa organização mais competitiva e enfraqueceremos a concorrência, disse.

Tal ideia foi recebida calorosamente pelos membros do conselho e o plano foi posto em prática.

Logo, verificava-se um fluxo de talentosos e brilhantes indivíduos migravam para a organização deixando a concorrência enfraquecida.

A chegada fez com que sua organização saltasse a frente das demais, ganhando uma fatia mais recheada do bolo mercadológico, mas trouxe alguns problemas:

Primeiro - seu grupo de colaboradores se sentia desprestigiado e pouco valorizado frente aqueles que ali se apresentavam e,

Segundo - a folha salarial fora inflada e o resultado líquido obtido pela ideia milaborante não fora tão alto como esperado.

Mas a concorrência não ficaria parada, percebendo o desequilíbrio do mercado tendendo para a organização 'A', trataram de movimentar-se oferecendo condições ainda mais atraentes, tanto a seus antigos colaboradores, quanto aos das demais organizações atuantes.

Uma distorção acabaria por surgir. O foco estava agora não nos bens de consumo ou serviços desenvolvidos e comercializados pelas organizações, mas sim na contratação de talentosos colaboradores, o que elevou o teto salarial destes indivíduos.

Devido a tal circunstância, as organizações passaram a firmar contratos com seus mais talentosos colaboradores estabelecendo cláusulas compensatórias de modo a cobrir não só os gastos com estes, mas estabelecer lucro.

Surgiram atravessadores, que intermediavam as negociações e faturavam com isso. Outros, aproveitavam-se da brecha estabelecida e se apoderavam das marcas e produtos das organizações, controlando-os.

No meio desta nova realidade, um outro sujeito, que administrava a organização 'B' teve uma outra ideia e a levou ao seu conselho de acionistas:

- Ao invés de gastarmos recursos para contratar talentos já existentes, vamos investir na formação de nosso próprio quadro de talentosos colaboradores... Economizaremos com custos de contratação e, nossos colaboradores se sentirão mais valorizados e prestigiados evitando o êxodo! Exclamou frente ao conselho.

Em resposta, recebeu a aprovação para tocar o projeto e estabelecer um novo paradigma mercadológico.

Seus colaboradores sentiram-se motivados a engajar na nova proposta de valorização de pessoal, produzindo mais e melhor.

Tal movimento fez com que a organização 'B' ultrapassasse a organização 'A' e se tornasse a nova líder do mercado, ganhando prêmios e valorizando a sua marca.

A concorrência, mais uma vez, não ficou parada.

Frente ao novo paradigma, tratou de utilizar práticas semelhantes, o que acabaria por produzir uma nova geração de ainda mais talentosos indivíduos e o risco de perdê-los fez com que as organizações acrescentassem mais algumas cláusulas compensatórias sobre investimento feito na formação no contrato firmado com seus colaboradores.

Mesmo assim, concorrentes ofertavam propostas substanciosas, inflacionando os custos com pessoal. Aquelas organizações que haviam investido na formação de seus colaboradores tinham duas opções: ou  cobriam as ofertas, mantendo-os em seus quadros ou negociavam com a concorrência.

Observadores eram contratados e enviados para pesquisar e recrutar novos talentos em organizações menores ou em cidades mais afastadas. Outros, autônomos, faziam o inverso, saíam a caça destes e ofereciam as grandes organizações mediante pagamento.

Tamanho caos, desvirtuou de vez o mercado, não havia mais o foco no produto, no fim. O objetivo passara a ser a obtenção de receitas através da negociação dos direitos oriundos dos contratos celebrados com seus colaboradores, o que acabaria por levar a um desequilíbrio financeiro na maioria das organizações.

Embora participando do caótico mercado, a organização 'C' tinha na sua gestão, sujeitos que gostavam e procuravam pensar de um modo mais heterodoxo, fora do padrão e com uma visão mais distanciada e ampla sobre o todo.

Certo dia, este grupo de gestores propôs algo que iria de encontro a tudo que estava sendo praticado até então.

- Retornaremos ao nosso objetivo inicial. Disse um deles.

- Investiremos na nossa produção, sem deixar de manter um programa de formação e atualização continuada de nossos colaboradores, além de criarmos um plano de cargos, salários e bonificações que valorizem o talento produtivo. Falou um outro.

- E não vamos parar por aí... Iremos procurar diversificar nossas fontes de receitas, sendo significativamente agressivos comercialmente, controlando os processos, inovando e atuando de modo transparente, dentro de fortes valores éticos e morais. Completou um terceiro, enquanto discutiam o tema no conselho diretor.

- Tem mais... Vamos abrir mão dos lucros obtidos com a negociação dos direito oriundos dos contratos firmados com nossos colaboradores, caso algum de nossos colaboradores deseje ir para a concorrência. Finalizou o primeiro.

Estupefatos, os conselheiros demoraram a compreender.

- Como assim? Não vamos mais ganhar este dinheiro?

- Não, só iremos aceitar uma indenização pelo investimento feito na formação deste colaborador descontando o tempo de serviço prestado.

- Por outro lado, vamos assumir o nosso negócio e passaremos a explorar nossa marca de modo pragmático e contínuo, agregando um maior valor a nossos produtos e serviços, e controlando todo o processo: da pré-produção ao pós-venda...

- Poderemos, num primeiro momento, sofrer algum revés, mas temos a certeza, segundo algumas pesquisas realizadas, de que sairemos na frente e nos manteremos por algum tempo assim até que haja uma reação da concorrência.

Finalizada a explanação, houve a aprovação da proposta e deliberação para que fosse colocada em prática.

Então um novo paradigma se estabeleceu, onde o sentido original havia sido retomado só que recheado de uma robustez estratégica focada na diversificação de receitas através de um incentivo sistemático de práticas inovadoras.

...

Não devemos deixar de dar a devida atenção a uma ideia ou conceito só porque foge do convencional. Do mesmo modo, não devemos continuar fazendo as mesmas coisas sem saber sua razão só porque todos as fazem.

O melhor dos mundos é estar focado em seus objetivos sem se descuidar da visão de longo prazo, saindo da caixa, vez ou outra, para buscar um novo ângulo, uma nova perspectiva.

Sou radicalmente a favor de deixar de lado o lucro advindo das receitas provenientes de cláusulas compensatórias presentes em contratos especiais de trabalho esportivo pactuado entre entidades de prática esportiva e atletas profissionais.

Somente assim, entidades de prática esportiva passariam a valorizar uma carteira formada por várias fontes de receita, buscando explorá-las de modo contundente e saindo da fatídica roda do endividamento eterno.

Difícil crer, de acreditar que isto seja possível, mas é. Sei que é... E começo a ter uma ideia de como fazê-lo.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

X-tudo

globoesporte.globo.com

Marquei um X, um X... Cantaria a Xuxa.

Desta vez no Maracanã S/A e com a participação da Odebrecht (90%) e da gigante do entretenimento AEG (5%).

Nada de mais. Somos a cidade olímpica. Vai ser bom para o esporte nacional.

Talvez, a não ser pelo fato da demolição do Célio de Barros e, provável demolição, do Júlio Delamare para dar mais espaço a um... Estacionamento. Não sabia que existiam provas olímpicas utilizando automóveis.

Licitação vencida a parte e concessão feita, o projeto é o terceiro no mundo a ultrapassar 1 bilhão de reais.

Mas o imbróglio ainda está longe de ser resolvido, além da pendência judicial sobre o parque aquático, corre um processo do MP carioca para impedir a concessão.

Como assim? Já não estava tudo certo?

Não. Na ação, o MP afirma que o processo licitatório favoreceu o consórcio vencedor e contesta a necessidade de demolição dos já citados equipamentos esportivos e da escola municipal Friedenreich no entorno do estádio.

Tem mais, uma outra disputa corre por fora.

A Golden Goal, operadora dos camarotes desde 2005, obteve um mandato d segurança para retirar o item referente a comercialização dos respectivos camarotes da licitação, alegando que seu contrato está vigente e dura até 2015.

No final das contas, só podemos enxergar uma coisa: não é só o futebol que necessita de uma gestão profissional e competente neste país.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Monopólio e Competitividade [Cont.]

LIGA
PAIS
TCL
TCA
TCA/TCL
HHI
%HHI
LA LIGA
ESP
20
9
0,45
0,325
32,5%
PREMIER LEAGUE
ING
20
11
0,55
0,230
23,0%
SERIE A
ITA
20
11
0,55
0,230
23,0%
BUNDESLIGA
ALE
20
10
0,50
0,275
27,5%
BRASILEIRO A
BRA
20
15
0,75
0,100
10,0%


Desta vez, foram utilizados os dados referentes a temporada 2012/13, no caso das ligas européias e da temporada 2013 no Brasil.

Em todas as ligas, o número de participantes é o mesmo, porém a quantidade de campeões varia entre 09 (ESP) e 15 (BRA).

Para o cálculo do índice HHI, foi levada em conta a relação entre Total de Clubes Campeões - TCA e Total de Clubes na Liga - TCL.

Conforme já foi comentado, quanto mais baixo for o índice HHI mais competitivo e saudável para o mercado é o ambiente.

Percebe-se facilmente, que o ambiente mais saudável é encontrado no Campeonato Brasileiro Série A.

Em segundo, aparece a Bundesliga com um share de 50/50, determinando um índice HHI de 0,275.

A Serie A italiana e a Premier League inglesa tem uma concentração ligeiramente maior do que a liga alemã, com um índice HHI de 0,23.

O ambiente menos competitivo e mais concentrado tendo um índice HHI de 0,325, portanto mais nocivo ao mercado, é o da La Liga, na Espanha.

Em um evento esportivo, quanto mais disputa, maior relevância para seu público-alvo.

O consumidor de esporte é movido, na maioria dos casos, pelo prazer de vivenciar, participar e compartilhar momentos de forte apelo emocional, e isto só pode ser promovido em um ambiente de alta competitividade.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Monopólio e competitividade

"Onze campeões nos últimos dez anos mostra a falta de qualidade. Onde tem qualidade tem menos campeões", disse Tim Vickery no programa Redação do canal SporTV.

Ainda bem que o Rizek discordou e com razão.

Existe um índice de análise econômica - Herfindahl–Hirschman Index (HHI), que serve para avaliar o quão competitivo é um mercado de acordo com a classficação abaixo:

  • Um HHI abaixo de 0,01 indica um ambiente altamente competitivo. 
  • Já um HHI abaixo de 0,15 um ambiente não concentrado e alguma competitividade. 
  • Enquanto um HHI entre 0,15 e 0,25 indica um concentração moderada e pouca competitividade.
  • Um HHI acima de 0,25 indica uma alta concentração e muito baixa competitividade.

Pois bem se aplicarmos este índice num evento esportivo podemos obter alguns resultados interessantes.

Em eventos nos quais sua disputa fica entre uns poucos participantes e que se repetem ao longo das temporadas, o índice tende a determinar uma baixa competitividade, sinalizando monopólio.

Por outro lado, eventos nos quais exista uma quantidade maior de participantes que se alternam na sua conquista ao longo dos anos, o índice tende a determinar um padrão de alta competitividade, não sinalizando um monopólio.

A fim de elucidar quais das afirmativas dos jornalistas estaria correta, realizei um simples estudos sobre as principais ligas européias e o Campeonato Brasileiro:

La Liga*, Espanha.
09 clubes conquistaram 81 títulos.
Apresenta um índice HHI de 0,26.
65,43% dos títulos divididos entre Real Madrid e Barcelona (65,43% dos títulos) determinando forte monopólio.
Ambiente de alta concentração e muito baixa competitividade, portanto nocivo ao mercado.

Premier League*, Inglaterra.
23 clubes conquistaram 114 títulos.
Apresenta um índice HHI de 0,09.
44,74% dos títulos disputados estão com Manchester United, Livepool e Arsenal.
Ambiente não concentrado e com média-alta competitividade, favorável ao mercado.

Serie A*, Itália.
16 clubes conquistaram 109 títulos.
Apresenta um índice HHI de 0,15.
Concentração de títulos pela Juventus com 26,6%.
Junto com Internazionale e Milan detém 59,63% dos títulos disputados.
Ambiente com concentração moderada e pouca competitividade, não tão favorável ao mercado.

Bundesliga*, Alemanha.
29 clubes conquistaram 101 títulos.
Apresenta um índice HHI de 0,09.
Concentração de títulos: Bayer Munich com 22,77%.
34,65% dos títulos estnao divididos entre FC Nuremberg, Borussia Dortmund, Schalke 04, Hamburger SV e VfB Stutgart.
Ambiente não concentrado e com média-alta competitividade, favorável ao mercado.

Campeonato Brasileiro Série A**, Brasil.
17 clubes conquistaram 57 títulos.
Apresenta um índice HHI de 0,088 - O mais baixo índice das ligas estudadas.
Concentração de títulos entre Santos e Palmeiras, detendo 28,07%.
Conrinthians, Flamengo, Vasco da Gama, Fluminense, juntos detém 33,33% dos títulos.
Ambiente não concentrado e com média-alta competitividade, favorável ao mercado.

Do ponto de vista econômico, o monopólio (nenhuma ou baixa competitividade) não é saudável e é por isso que órgãos governamentais de antitruste, como o CADE no Brasil, intervém em algumas fusões e aquisições de empresas, permitindo ou não que tal ato aconteça, sempre defendendo a tese de que um ambiente competitivo seja mais saudável.

É bom para a economia de um país manter mercados altamente competitivos e pulverizados por diversos concorrentes, gerando desenvolvimento e inovação.